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Reflexão sobre a desigualdade salarial entre homens e mulheres

Segundo pesquisa recente realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres ainda recebem de salário cerca de 21% a menos que do que os homens, mesmo sendo dados agregados (avalia de forma geral e não específica de cada função de trabalho), dá para concluir que as mulheres estão concentradas em atividades profissionais ou ocupações de menor remuneração. É importante ressaltar que essa diferença praticamente se manteve idêntica na última década.

Dentre as causas dessa desigualdade de salário e de oportunidades de empregos, destaca-se a discriminação em relação à MATERNIDADE; numa família padrão (homem e mulher casados), não é surpresa e não se questiona quando uma mulher interrompe os estudos e carreira para ser mãe.

Isso, querendo ou não, é o principal motivo para a "desvalorização" do trabalho da mulher. Se essa mulher decidir retomar a carreira, ainda que conquiste a mesma posição, a tendência é que seu trabalho seja menos valorizado monetariamente por causa dessa pausa, uma vez que teria de recomeçar de onde parou. Enquanto uma pessoa que começou com as mesmas oportunidades e com a mesma idade que ela, já está bem mais adiantada em termos de cargo e remuneração.

No entanto, para as mulheres que escolhem permanecer no mercado de trabalho, seja por necessidade ou escolha, enfrentam a dupla jornada de cuidados com a casa e os filhos. Estudos mostram que as mulheres trabalham cerca de 7 a 8 horas a mais por semana em tarefas domésticas e com cuidado dos filhos.

Uma das soluções que se discutem atualmente nos debates sobre o combate à discriminação da maternidade e os reflexos disso no mercado de trabalho, é o reconhecimento do direito e dos deveres do pai com relação à criança e a necessidade do compartilhamento das obrigações na vida familiar, independentemente de gênero, não apenas pensando unicamente nas condições das mulheres na relação do mercado de trabalho, mas também, como pode promover uma nova mentalidade social, que vise a efetiva equidade de oportunidades e qualidade de trabalho.

E pensando nessa mudança da mentalidade e valores sociais, pode-se tomar como exemplo países que alcançaram essa equidade entre homens e mulheres no mercado de trabalho e, quais medidas foram utilizadas para isso. Como é o caso da Islândia, considerada a número um do mundo em igualdade de gênero com relação as oportunidades de trabalho.

Isso graças as políticas internas desse país, que por exemplo, desde o ano 2000 oferece licença parental de nove meses remunerados (80% do salário), onde as mulheres saem os três primeiros meses, os homens os próximos três meses, e o trimestre seguinte pode ser compartilhado como eles quiserem. Atualmente, 90% dos homens saem de licença.

A Islândia também foi o primeiro país a colocar em vigor uma lei que obriga as empresas a pagarem e comprovarem que pagam salários iguais para homens e mulheres que exercem funções semelhantes, impondo multa para empresas que não cumpram essa determinação.

É crucial seguir os bons exemplos de países que, de fato, educaram e equiparam os homens e mulheres no mercado de trabalho. No entanto, é importante analisar e trazer para a realidade brasileira, levando em conta aspectos do Brasil, como: o nível de escolaridade entre as pessoas; a quantidade de mães-solo que são as únicas responsáveis pela casa; o impacto financeiro que essas políticas sociais podem causar nas empresas; como isso se aplicaria a todos os tipos de trabalho ou se apenas se limitaria a trabalhos intelectuais, dentre outros.

Atualmente, há um incentivo legislativo no Brasil para equiparar homens e mulheres no mercado de trabalho, como é o caso do Projeto de Lei nº 1.085/2023 que requer a obrigatoriedade da igualdade salarial entre homens e mulheres, através de ferramentas transparência salarial e aplicação de multa para a empresa que descumprir. Também, a Lei nº 14.557/2022, estabeleceu o Programa Emprega + Mulheres, que tem o intuito de apoiar a parentalidade na primeira infância, a inserção e manutenção da mulher no mercado de trabalho.

Da mesma forma, algumas empresas já estão colocando a extensão da licença-paternidade em prática, mesmo não sendo obrigatório, como é o caso da: Reserva; volvo; boticário; facebook; etc.

Mas e você o que acha disso?

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