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Short stay x Locação de curta temporada: Qual a diferença?

O tipo de locação short stay tem causado algumas dúvidas que, na opinião do colunista Jaques Bushatsky, as respostas se encontram na modalidade de locação por curta temporada.



Afinal, o que é short stay? Esta dúvida tem rendido muitas conversas, palestras, consultas, pois muitos têm buscado investir na modalidade: descobrem a lucratividade, ouvem acerca das facilidades, se inebriam com a novidade.


No mercado imobiliário corre um certo consenso de que “short stay” consista:

  • Na locação de imóvel mobiliado e equipado, por período limitado a três meses;

  • Os aluguéis costumam ter valores bem superiores aos números usuais em locações “normais”;

  • O público locatário não teria qualquer interesse em alongar a locação, ajustada devido a alguma necessidade pontual: estudos, tratamentos de saúde, às vezes lazer, e por aí vai.

Esse conjunto de características tem se mostrado bastante atrativo.


Valem os parênteses: não se aplica esse termo a situações outras, tais como em hotelaria, depósitos, estacionamentos etc., cada um terá a sua regência legal e as suas condutas de mercado. 


Realmente, muitas imobiliárias e vários investidores têm se dedicado a essa operação, mas muitos a praticam com certa ignorância, espera-se que nunca proposital, à legislação, prática que gera problemas, tal qual dirigir a duzentos, numa estrada que tenha oitenta quilômetros por hora como limite de velocidade: as coisas se complicarão.  


Os problemas usuais são estes:

  • Confusões na cobrança do aluguel buscando-se meios tortuosos para o ajuste, embora a solução seja simples;

  • Receios quanto à mobília;

  • Contorcionismos contratuais quanto ao período de vigência da locação e à sua motivação;

  • Fixação do valor do aluguel;

  • Redação de contratos que em busca da síntese findam incompreensíveis – embora curtinhos. 

Qual a diferença da modalidade "short stay" para o aluguel de curta temporada?


A solução da dúvida eu lanço a crédito direto do meu professor de muito tempo atrás, Mr. Richard Fisk (sim, o fundador das famosas escolas): short stay significa nada mais, nada menos, que curta permanência. 


Não nos impressionemos com as denominações. De fato, ao longo de décadas importamos um sem-número de expressões em inglês a ponto de, se você pedir a um portador do departamento de remessas do centro comercial que lhe traga sabão para cabelos, talvez você se dê mal: prefira pedir ao motoboy do serviço de delivery que traga um shampoo do shopping center. Você receberá o produto.


Pois bem. Essa locação de curta permanência, tão falada, é exatamente a nossa velha “locação por temporada” (talvez no futuro venha a ser conhecida somente pela nova denominação), perfeitamente disciplinada na Lei das Locações, cujo artigo 48 estabelece que é: 


“locação para temporada aquela destinada à residência temporária do locatário, para prática de lazer, realização de cursos, tratamento de saúde, feitura de obras em seu imóvel, e outros fatos que decorrem tão-somente de determinado tempo, e contratada por prazo não superior a noventa dias, esteja ou não mobiliado o imóvel.”


Nada de novo, portanto.


Também está na lei a possibilidade de o imóvel locado ser mobiliado, sendo oferecida a receita para evitar problemas: discriminar o que equipa o imóvel e o estado desses itens.


Os mais cautelosos até noticiam no contrato de aluguel os valores estimativos dos móveis e equipamentos, para simplificar a indenização em caso de dano ou sumiço. 


O pagamento do aluguel pode ser feito antes, durante ou depois do período da locação (artigo 49), a liberdade dada aos contratantes é larga (como em tantos passos dessa lei, lembremos), assim como poderá ser contratada qualquer das modalidades de garantia (listadas no artigo 37 da lei).


Ou seja, a locação “short stay” é tipo de locação que é velho (a lei atual data de 1.991) conhecido e, se estranhamento houve quanto a esse tipo, certamente não foi quanto à modalidade, mas ao nome.


Ora, valeria, ao invés de se abalar pela dúvida, antes de se quedar intrigado, lembrar dos clássicos e se deliciar com o argumento que Julieta levou a Romeu: “Que há num nome? A flor que chamamos de rosa se outro nome tivesse inda teria o mesmo perfume” (“What's in a name? That which we call a rose, by any other word would smell as sweet” – Shakespeare). 


Em suma, analisemos as características (e delas extraiamos o que interessa) de cada ideia, negócio contrato ou procedimento, não nos percamos com os nomes que são dados ou criados, às vezes eles distraem...


E, numa minúscula homenagem ao vernáculo e a um gênio que falava a nossa língua, cabe fechar com a conclusão: “as ações de cada um são a sua essência”, ensinou o Padre Antônio Vieira (1608 Lisboa – 1697 Salvador). O resto, é resto, nada mais que embalagem.


Artigo publicado originalmente no site www.sindiconet.com.br, em 24 de Outubro de 2023.



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